A cauda equina é o conjunto de raízes nervosas que se prolongam a partir do final da medula espinhal, habitualmente a partir da vértebra L1-L2, e que percorrem o canal vertebral até à região sacrococcígea. Estas raízes inervam os membros inferiores, os órgãos pélvicos (bexiga, intestinos, genitais) e parte do períneo.
Quando estas estruturas são comprimidas — geralmente de forma aguda — dá-se origem à síndrome da cauda equina , uma situação que pode levar à perda do controlo urinário, fecal, alterações da sensibilidade e paralisia parcial dos membros inferiores.
A compressão das raízes da cauda equina pode ter várias origens. As causas mais comuns incluem:
• Hérnia discal lombar volumosa (mais frequente entre L4-L5 ou L5-S1)
• Tumores espinais (benignos ou malignos)
• Estreitamento do canal vertebral (estenose lombar severa)
• Fraturas ou traumatismos lombares com fragmentos ósseos deslocados
• Infeções ou abcessos epidurais
• Complicações pós-cirúrgicas ou anestésicas (raras)
A causa mais habitual é uma hérnia discal lombar de grandes dimensões que comprime abruptamente as raízes nervosas.
O diagnóstico da síndrome da cauda equina baseia-se na história clínica, no exame neurológico completo e na realização urgente de exames de imagem.
Exames utilizados:
• Ressonância magnética da coluna lombar: é o exame de eleição, permitindo visualizar a compressão das raízes nervosas, a hérnia discal ou outra causa subjacente.
• TAC lombar: pode ser usado quando a RMN está contraindicada, embora ofereça menos informação sobre os tecidos moles.
• Estudos neurofisiológicos: podem ser utilizados no seguimento, mas não são úteis na fase aguda.
Tratamento da síndrome da cauda equina
A descompressão cirúrgica urgente é o tratamento de eleição.
• O tempo é um fator crítico. Idealmente, a cirurgia deve ser realizada nas primeiras 24 horas após o início dos sintomas , especialmente se houver alterações da função urinária ou motora.
• A intervenção consiste na remoção do fator compressivo , geralmente uma hérnia discal, através de microdiscectomia ou laminectomia , conforme o caso.O objetivo é restaurar a função neurológica, aliviar a dor e prevenir défices permanentes .
O prognóstico da síndrome da cauda equina depende diretamente do tempo até à cirurgia. Quanto mais cedo for realizada a descompressão, maior a probabilidade de recuperação das funções motoras, urinárias e intestinais.Se não for tratada a tempo, pode deixar sequelas permanentes , como:
• Incontinência urinária ou fecal
• Disfunção sexual
• Fraqueza ou paralisia de membros inferiores
• Dor neuropática crónica
• Perturbações psicológicas associadas à perda de autonomia