A hérnia discal pode ter diversas causas, a mais habitual é a desidratação do disco que ocorre com o avançar da idade e que torna o disco muito menos elástico e flexível levando à ocorrência de microfissuras no anel fibroso que através das forças sujeitas durante a mobilidade articular acabam por provocar a rotura do anel fibroso.
O principal fator que contribui para a degeneração discal é genético. Outros fatores como pegar em pesos de forma inadequada, tabagismo,, peso excessivo ou esforços repetitivos são fatores de risco para o aparecimento de uma hérnia de disco ou para o agravamento dos seus sintomas.
O diagnóstico da hérnia discal é conseguido através da realização de um exame físico detalhado com a colheita da história clínica do doente, testes físicos que incluem exames neurológicos para determinação dos nervos afetados e do grau de afetação destas estruturas. É sempre apropriada a realização de Raio X, embora a ressonância magnética nuclear seja o exame considerado de primeira linha para a identificação desta patologia. A Tomografia Axial Computorizada (TAC) poderá ser uma alternativa para o diagnóstico desta patologia. Em alguns casos pode ser útil o estudo da condução nervosa e eletromiografia (EMG).
A hérnia discal na maioria das situações é uma situação que pode e deve ser tratada de forma conservadora e não cirúrgica. Só em casos graves de comprometimento neurológico ou em que o tratamento conservador não é eficaz é que a cirurgia deve ser considerada.
Tratamento conservador da hérnia discal:
O tratamento conservador, não cirúrgico, deve ser a primeira opção e na maioria dos casos resulta numa melhoria significativa da sintomatologia. Numa fase inicial deve ser restringida a atividade física, especialmente movimentos de flexão e transporte de cargas e com a conjugação de medicação analgésica é na maior parte dos casos suficiente. Adicionalmente podem ser prescritos medicamentos anti-inflamatórios, relaxantes musculares, colares cervicais ou cintas de imobilização lombar. Hoje em dia existem tratamentos que recorrem a técnicas de relaxamento, fortalecimento dos músculos das cadeias musculares dos segmentos próximos à lesão, fisioterapia com reforço selectivo das cadeias musculares que ajudam na prevenção da recidiva deste tipo de patologia.Recentemente estudos internacionais comprovam a grande eficácia de terapias como o Pilates Clínico no tratamento e prevenção da hérnia discal. Ainda é possível como tratamento conservador recorrer a terapias como as infiltrações epidurais e transforaminais que contribuem para um alívio sintomático imediato e redução da inflamação dos nervos, podendo ajudar na resolução dos sintomas de forma mais célere. Existem outras técnicas minimamente invasivas realizadas por via percutânea recorrendo a uma pequena anestesia local como a nucleoplastia por coablação ou plasma e a ozonoterapia, usadas em casos muito particulares, mas cujo os resultados não estão ainda comprovados. Caso o tratamento conservador não resolva os sintomas, ou quando existem alterações neurológicas concomitantes, a cirurgia está indicada e é um meio curativo de grande eficácia.
Tratamento cirúrgico da hérnia discal:
Existem diversas opções cirúrgicas para o tratamento deste tipo de patologia. Hoje em dia damos uma grande importância à cirurgia minimamente invasiva (endoscopia ou microdiscectomia)com utilização de portais com incisões que medem aproximadamente 1cm e cujos benefícios na recuperação são enormes.A opção cirúrgica vai depender muito da zona anatómica em questão e do grau de afetação das estruturas nervosas, bem como da existência ou não de outras patologias concomitantes. Independentemente da técnica cirúrgica e do protocolo de reabilitação existe a probabilidade de recidiva da hérnia discal, com recorrência dos sintomas, em cerca de 5-10% dos casos no espaço de 10 anos, podendo necessitar de nova cirurgia.