Uma fratura vertebral ocorre quando o osso de uma vértebra é lesado através de mecanismos de esmagamento ou colapso parcial/total, geralmente na sequência de um trauma. As fraturas podem variar desde fraturas estáveis e sem risco neurológico , até lesões complexas com instabilidade vertebral e compressão da medula espinhal ou das raízes nervosas.
Estas fraturas não devem ser confundidas com fraturas osteoporóticas , que ocorrem em contextos de fragilidade óssea e serão abordadas num artigo próprio.
• Acidentes de viação (carros, motas, atropelamentos)
• Quedas de altura (escadas, andares, obras)
• Atividades desportivas de alto impacto
• Traumatismos por mergulho (afetando a coluna cervical)
• Traumatismos com objetos pesados (esmagamento ou impacto direto)
• Ferimentos penetrantes (arma de fogo ou arma branca, em casos raros)
Regiões da coluna mais afetadas
• Coluna cervical: geralmente associada a acidentes de viação ou mergulhos
• Coluna torácica: comum em quedas de altura, especialmente entre T11 e L1
• Coluna lombar: afetada em impactos verticais ou pancadas diretas
• Região sagrada (sacro): menos frequente, pode ocorrer em contextos de trauma pélvico ou em atletas
Os sintomas variam com a localização da fratura, o grau de compressão das estruturas neurológicas e a estabilidade da lesão. Os mais comuns são:
• Dor intensa localizada na zona da fratura
• Dificuldade em movimentar o tronco ou pescoço
• Espasmo muscular e rigidez da coluna
• Dor irradiada para braços ou pernas (se houver envolvimento neurológico)
• Perda de força ou sensibilidade
• Em casos graves: incontinência urinária ou fecal, paralisia parcial ou total
A presença de sintomas neurológicos exige avaliação urgente por especialista , pois pode indicar lesão da medula espinhal ou das raízes nervosas .
O tratamento depende de vários fatores:
• Localização e tipo da fratura
• Presença de lesão neurológica
• Estabilidade vertebral
• Idade e condição clínica do doente
Tratamento Conservador
Indicado para fraturas estáveis e sem défices neurológicos , e pode incluir:
• Repouso relativo e restrição de movimentos
• Uso de órtese (colete ou colar cervical) por tempo limitado
• Medicação analgésica e anti-inflamatória
• Fisioterapia após estabilização inicial, com foco em mobilidade e fortalecimento
Tratamento Cirúrgico
Indicado em casos de:
• Fraturas instáveis
• Deslocamento/ luxação das vértebras
• Comprometimento neurológico
• Deformidade progressiva ou dor incontrolável
As técnicas cirúrgicas mais utilizadas incluem:
• Fixação com parafusos e barras (via posterior, anterior ou combinada), a maioria das vezes realizada de forma percutânea (minimamente invasiva)
• Descompressão da medula ou raízes nervosas , se estiverem comprimidas
• Fusão vertebral , quando há instabilidade. O objetivo da cirurgia é estabilizar a coluna, proteger as estruturas neurológicas e permitir uma recuperação funcional segura.
Prognóstico
Com um diagnóstico atempado e um plano terapêutico adequado, muitos doentes conseguem recuperar bem, com retorno à sua vida habitual. No entanto, fraturas mais complexas ou com lesões neurológicas associadas exigem seguimento prolongado e reabilitação especializada .A recuperação depende da gravidade da lesão, da idade do doente, da resposta ao tratamento e da presença de comorbilidades.